Volume Alto convida!

Ahmad Jamal no Bridgestone Music Festival 2010, por Paulo Zoppi

“Dá vontade de chegar em casa e colocar todos os CDs de jazz para tocar. Além disso, faz a gente achar que está perdendo um tempo danado, não indo a pelo menos um ou dois shows desses por semana.”


Como este blog é um coletivo e, por natureza, um projeto colaborativo, inauguramos a sessão “Volume Alto convida”, onde amigos, conhecidos e interessados podem mandar textos, notícias, resenhas e comentários sobre tudo de imperdível que estiver rolando de música por aí.

Abrindo com chave de ouro, temos a participação de um grande amigo, Paulo Zoppi, 42 anos, Gerente de treinamento em informática por formação, trompetista em construção, amante de boa música e transtornado por jazz.

Ele foi contemplar o excelente Bridgestone Music Festival, que tá rolando em São Paulo desde o dia 19/05 e acaba amanhã (22/05 – corre lá!), no Citibank Music Hall, em Moema e mandou pra gente suas observações sobre o Show, com letra maiúscula!

” Excelente. Dá vontade de chegar em casa e colocar todos os CDs de jazz para tocar. Além disso, faz a gente achar que está perdendo um tempo danado, não indo a pelo menos um ou dois shows desses por semana. Que em SP tem! Sendo um pouco mais abrangente no sentimento, faz a gente achar que está perdendo tempo na vida mesmo, com todo o lixo que colocam na nossa frente o tempo todo, desde as obrigações mundanas até a ¨cultura¨ de circo e em lata. Parece que fica mais evidente como tem todo um maquinário amassando a nossa cabeça o tempo todo, nos diminuindo. E aí, vez por outra, por uma frestinha dessas, entra a luz.

Na primeira parte, apresentou-se uma cantora chamada Dee Alexander, com seu grupo Evolution Ensemble (violino, violoncelo, baixo e bateria). A cantora não deve nada nada nada à grande tradição de negonas americanas, com uma voz perfeita e um domínio absurdo, e os músicos eram primorosos (o baixista era um espetáculo à parte).

Na segunda parte, veio o tio… Ahmad Jamal, o pianista-lenda que era o grande motivo de estarmos lá. O homem tem 80 anos e dá um banho tão ensopante que é de irritar. Domínio completo, parece que toca por puro deleite. Vai da maior sutileza ao martelar mais frenético como quem coça o nariz, sem nem se dignar a pensar no assunto. Tudo é fácil. Nos momentos minimalistas, com duas ou três notas ele enchia o lugar. Depois, apontava o dedo fino e comprido para alguém da banda (baixo, bateria e um outro grupo de instrumentos de percussão), virava e ficava sentando na banqueta assistindo. Ou em pé mesmo, com as mãos nos bolsos. Nesse grupo, o destaque foi o baterista.

Então  entrava de novo, algumas vezes as primeiras notas com ele ainda em pé. Às vezes levantava-se no meio, com um movimento muito brusco dos dois braços para trás, como se estivesse arrancando os sons do meio das entranhas do piano, ou como se estivesse sendo eletrocutado.

Essa segunda parte foi o êxtase. ”

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Sobre Carlota Braga

no duro, tinindo trincando.
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