The Swell Season: O show!

Nem os fãs mais entusiastas do The Swell Season previam o belo show da última sexta-feira, 27/08, em São Paulo, na primeira passagem do grupo pelo Brasil. Durante quase duas horas e meia, o duo folk ,acompanhado de sua banda, conduziu com habilidade o público acomodado nas mesinhas do HSBC Brasil por um cenário de emoções variadas, que tornaram a noite uma verdadeira experiência de apreciação à música bem feita.
Pelos comentários que se ouvia antes do show, a maioria dos presentes conhecia o histórico que envolve o projeto de Glen Hansard e Markéta Irglová: o passado mais roqueiro do vocalista como líder da banda The Frames, o filme Apenas uma vez, sua trilha sonora e o Oscar de Melhor Canção por Falling Slowly. Mas estavam lá também os que haviam comprado seus ingressos apenas para conferir quem eram os responsáveis pela romântica Low Rising, presente na trilha da atual novela das oito.

A casa, com alguns lugares sobrando apenas na área VIP, faria sofrer os que tinham optado pelos setores 2 e 3.  A proximidade (ou aperto) entre as cadeiras eram adequadas para casais, grupos de amigos ou familiares e bem desconfortável para desconhecidos. A circulação de garçons entre as mesas era outro ponto contra o espaço. Mas assim que Glen Hansard adentrou o palco sozinho, empunhando um violão desplugado, os detalhes relacionados a acomodação ficaram em segundo plano. Um show, no sentido mais completo da palavra, estava para começar.

Glen Hansard, com sua barba e cabelo desgrenhado, estampa a figura de um cara comum, que passaria despercebido pelos bares e ruas de Dublin, assim como o personagem que interpreta em Apenas uma vez. Mas assim que começou a cantar Say it to me now, com voz firme, sem a presença de microfone, e tocar seu violão, compassado nas batidas dos pés no chão do palco, mostrou que talento e sentimento chamam tanta atenção quanto qualquer mania de estrela. Ao final da canção, Markéta Irglová no piano e a banda composta por um baixo, guitarra, bateria e violino juntaram-se ao cantor. Desse momento em diante o público se deleitaria com a eficácia de cada canção interpretada no palco.

Chamava a atenção a completa mudança de atmosfera entre uma canção e outra, eram músicas executadas com intensidade. O The Swell Season explodia em sonoridades nervosas e angustiadas, com violões acrescentando técnica e, fisicamente, acompanhando o timbre exaltado de Glen. Percorria duetos românticos e melancólicos, embalados pelo piano de Marketá. E em outras melodias, os arranjos bem estruturados e cheios de camadas levavam com facilidade a cenas oníricas. A execução de uma canção típica da Irlanda tomou a todos de surpresa. O violinista iluminado por poucos feixes de luz, amparado por um pedal loop, dispensou a presença de uma orquestra inteira. Percebia-se claramente o público em silêncio, contemplativo, extasiado.

Para além da qualidade sonora ao vivo, o The Swell Season também surpreendeu pela simpatia e esforço em agradar a plateia paulista.“Nós som-os o TheSwell Season e e-estamos felizes-s de estar aqui na-o Bras-sil” disse Glen após a segunda canção. Bem humorado, levou o público as gargalhadas, improvisando e insistindo em cantar uma letra sobre a curiosa postura dos motoqueiros de São Paulo, a entitulada Honda. Marketá, visivelmente mais tímida, falou frases completas em português, com um sutil sotaque de Portugal, agradecendo vez ou outra exclamações da plateia e gritos de “I Love you!”. Foi dela outra grata surpresa da noite: ao falar sobre sua admiração pelo Brasil, citou Caetano Veloso e anunciou que cantaria Cucurrucucu Paloma, sucesso espanhol na voz do cantor brasileiro. A curiosidade tomou conta do ambiente e o que poderia ser esquisito e deslocado transcorreu como um dos momentos mais delicados da noite, sob um silêncio quase religioso.

Para fechar um verdadeiro espetáculo, Glen gentilmente convidou a banda de abertura para uma última canção no palco. Os Varandistas se reuniram para celebrar Bob Dylan com a canção You ain‘t going nowhere. Ali percebeu-se a como técnica aliada à paixão são capazes de tornar as músicas de um artista mais verdadeiras e próximas do público, esteja ele cantando rock, folk, música romântica, seja gritando no palco, improvisando ou fazendo um solo instrumental.

O show havia terminado e os que estavam ali presentes no dia, ainda hoje em suas casas não fazem ideia de quando verão novamente o The Swell Season no Brasil, mas a experiência além de gravada nas câmeras, celulares, Youtube… está, definitivamente, na memória, e isso é o mais importante.

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Uma resposta para The Swell Season: O show!

  1. Luisa Soler disse:

    o show foi maravilhoso..
    uma pena eu ter ficado cara a cara com o Glen e nao ter dito o quanto
    sou apaixonada pela banda dele. Amei o show, mas pra mim The Frames seria
    o show da minha vida! Glen Hansard é o coração disso tudo! Ele é o cara!

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