A efervescência de Otto

Ao som da percussão o homem gesticula inquieto. Por mais de uma hora e meia ele caminha de um lado a outro do palco bem iluminado. Estapeia um prato da bateria, dedilha o teclado sem permissão e entre as canções – com voz potente, azeitada por goles de whisky – faz declarações incompletas de insights e poemas. A farta barba ruiva, contrastando com a camiseta preta, permanece pouco tempo seca. O suor e a garrafa de água derramada sobre a cabeça ainda no início da noite, revelam profunda agitação do artista que viveu (e parece ainda viver) maus bocados, mas que os transformou (e sem dúvida transforma) em arte para quem quiser ouvir.

Quem esteve no último sábado, 26/06, no show do cantor pernambucano Otto na Comitê Club, pôde conferir a impetuosa personalidade do artista, que parece exorcizar todos os seu demônios no novo cd , Certa manhã acordei de sonhos intranquilos. O título do álbum, uma citação ao clássico A Metamorfose , de Franz Kafka, está diretamente relacionado ao estado em que o cantor se encontra. Não é segredo que Otto passou por rupturas, pessoais (o fim do casamento com atriz Alessandra Negrini) e profissionais (o rompimento com a gravadora Trama) que proporcionaram inspiração para as composições e liberdade na produção do projeto, respectivamente.

As dores convertidas em música no primeiro cd independente do cantor – que viveu o auge do Mangue Beat na década de 90 como percussionista da banda Mundo Livre S/A – foram apreciadas pelo The New York Times. “Certa manhã“, que conta com a participação de notáveis nomes desta geração, como Catatau (Cidadão Instigado), Pupilo (Nação Zumbi, 3 na Massa, Sonantes) e Céu, traz uma mistura cada vez mais apreciada da musicalidade brasileira que mistura referências afro e eletrônica.

Neste vídeo (um registro de outro show) Otto canta a rascante e confessional 6 minutos, com a qual tentou encerrar a noite na casa de shows, não fosse sua simpatia em atender os pedidos de bis de mais de uma canção e o vigor em relembrar melodias que aliviavam seu desconforto, fazendo a alegria dos presentes.

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Armada Lounge – Vol. 2 – Por Breno Pires* – (Volume Alto convida III)

Imagine-se relaxando em um belo fim de tarde na sacada de um apartamento em frente à praia. O sol desenhando um céu cor de laranja intenso, enquanto as nuvens ralas e baixas riscam essa gigantesca tela a lápis. Ao lado da sua cadeira, seu coquetel preferido e, em sua cabeça, planos para a noite que se aproxima: um jantar, uma festa e um passeio pelas areias que a noite resfriou enquanto você esteve fora, para só então voltar ao seu aposento e descansar com a mente no dia seguinte. Sem preocupações.

Qual seria a trilha-sonora deste momento? Se você chegou a pensar, mas não faz ideia de qual seria, faço uma sugestão. A coletânea Armada Lounge, separada em três volumes, traz ao ouvinte versões lentas e melódicas de sucessos lançados pela gravadora, especializada em Trance Music.

Repleto de vocais femininos e uma sequência de músicas que parece contar os momentos de um dia de verão – da tarde quente e agitada à madrugada nostálgica – o Volume 2 faz uma viagem pelo tempo e pelos subgêneros da Trance Music. Você que acompanha música eletrônica desde os meados de 1990 sentirá um arrepio com a harmonia inconfundível de Children, originalmente composta por Robert Miles, remixada com mais acordes e um leve toque infantil ao fundo.

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Devaneios musicais

Sou uma pessoa de hábitos musicais, acredito que você, que lê o Volume Alto também. Escolho a trilha sonora de acordo com (ou a fim de mudar) o meu estado emocional. Sei exatamente a música que vai melhorar meu humor, aquela que vai me levar a uma determinada lembrança, me induzir a certa sensação… E ultimamente, talvez por participar deste coletivo, passei a me interessar mais sobre hábitos e reações relacionados à música. Fuçando aqui e ali, me deparei com uma interessante reportagem, na revista Mente & Cérebro do mês de junho.

Intitulada Encantos da Música, a matéria de Karen Schrock, editora da Scientific American Mind traz novidades contidas em estudos recentes no campo da ciência e da medicina, que tem tudo haver com os costumes musicais da nossa geração. Ela esclarece questões que a maioria de nós já desconfiava ou praticava inconscientemente em nossa, digamos, vivência musical. Separei um trecho da reportagem, seguidos de um comentário. Veja se você concorda comigo:

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Coisa de Fã (Pearl Jam)

Rafael Reche tem 27 anos vividos com muita euforia, pois além de corintiano roxo ele é também um genuíno roqueiro fascinado pelo Pearl Jam, banda expoente do movimento grunge na década de 1990. Ele mora em Sampa e topou compartilhar imagens e números de sua coleção (nada modesta) com o Volume Alto, para inaugurar entre guitarras, baterias e camisas de flanela a nossa seção Coisa de Fã.

Entre DVDs, CDs nacionais e importados, discos de vinil, livros de partituras e arquivos baixados da internet, Reche contabiliza mais de três centenas de itens relacionados à banda de Seatle, que permanece em excelente forma no mais recente álbum Backspacer, lançado em 2009.

“Escuto muito Pearl Jam e gosto de todos os CDs, existem aqueles que representam momentos da minha vida. Atualmente voltei a escutar o cd Riat Act, lançado em 2002, um trabalho que mostra o amadurecimento da banda, mas ainda com o bom estilo que a consagrou: muita agressividade e ótimas letras.” Nesse misto de sensibilidade ligada à música e uma necessidade de expressão explosiva através dela, Rafael Reche não titubeia ao ser questionado sobre a música da banda que seja a sua preferida: “Chama Given To Fly, do cd Yield , lançado em 1998, inclusive me marcou bastante ouvi-la no show ao vivo”.

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Muse e Eclipse

Pra complementar o post do nosso colaborador Anderson Silva e dar uma prévia da trilha sonora de Eclipse, segue o clipe do Muse com cenas inéditas do terceiro filme da saga Crepúsculo, com estreia prevista para 30 de junho.

E vocês, o que acharam?

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Crepúsculo de bandas – Por Anderson Silva* (Volume Alto convida II)

Você (assim como eu), pode não gostar da saga Crepúsculo, mas precisa ouvir as trilhas sonoras.

Twilight, primeiro longa metragem dos “vampirinhos do bem”, já era recheado de músicas boas de Muse (Supermassive Black Hole), Collective Soul (Tremble for My Beloved) e Paramore (Decode). Twilight Saga: Eclipse, terceiro filme da série com previsão de estreia para 30 de junho, traz, mais uma vez, músicas de bandas e artistas do primeiro time da cena “indie” mundial, mas sem o brilho dos discos anteriores.

O cd começa com a belíssima Eclipse (All Yours), do Metric,  com grande destaque para a voz deliciosa de Emily Haines.

A segunda faixa é do onipresente Muse. Neutron Star Collision (Love is Forever) confirma o que todos já sabem: o trio britânico é realmente a melhor banda da atualidade (e tenho dito!). A bateria de Dom Howard e a guitarra de Matthew Bellamy surgem numa espécie de “cavalgada”, precedidos pela voz e o (ultimamente) característico piano de Bellamy. Bela música.

Ours, do The Bravery, até começa animadinha, mas depois soa um pouco repetitiva e chata. Prenúncio de um disco morno, certo? Errado.

Com a presença de Florence + Machine, Eclipse volta aos eixos como uma boa coletânea de rock. Nunca ouviu falar de Florence? Corra já para o Myspace dela e ouça algumas faixas maravilhosas dessa “revelação” inglesa. Heavy in Your Arms, faixa presente no disco, é imperdível.

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Catraca Livre

Você já conhece o site Catraca Livre?

Se não, aproveite o feriado de Corpus Crhisti pra se jogar na programação de shows super bacanas que vão rolar nos próximos dias, em São Paulo.

Vai ter Céu na Vila Madalena, Madeleine Peyroux no Teatro Bradesco (e lá no site tem promoção!), Copacabana Club no Studio SP, a lenda do jazz Ron Carter, Projeto Baião de todos com Tulipa Ruiz, Arnaldo Antunes e Marcelo Jeneci no Sesc Pompeia e muito mais.

O Catraca Livre é uma iniciativa do Gilberto Dimenstein (Folha) e tem como principal objetivo divulgar toda a fartura de programação cultural gratuita e a preços populares em São Paulo e arredores.

Porque todo mundo merece muita música e ziriguidum.

Bom feriado!

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